3 passos para ajudar o seu familiar que tem esquizofrenia

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“Quanto tempo o coração leva pra saber que o sinônimo de amar é sofrer??”

Estava ouvindo essa música e na hora desse refrão lembrei dos cuidadores de quem tem esquizofrenia.

Não tem dor, sofrimento maior do que ver alguém que você ama sofrendo e não poder tirar essa dor dela, não poder curar essa pessoa.

E a esquizofrenia é um transtorno que causa muita dor e sofrimento, tanto para quem tem o transtorno quanto para quem convive com alguém que tenha.

Cuidadores que se sentem impotentes diante do sofrimento, da tristeza, do desespero do seu familiar.

Entretanto, existe um jeito de fazer com que o cuidador sofra menos e aprenda a conviver com a esquizofrenia sem tanta dor.

COMO??  

1° Passo: ACEITAÇÃO.

Sem aceitar o diagnóstico do seu familiar dificilmente você conseguirá ajudá-lo de forma eficiente. Já falei algumas vezes sobre a palavra aceitação aqui, lembram?

Mas, relembrando, quando eu uso a palavra aceitação  o que eu quero dizer?

Aceitar que o seu familiar tem esquizofrenia, que não tem cura e que será preciso aprender a lidar com ela, certo?

Não, de forma alguma eu espero que você fique feliz, mas sim, aceite o diagnóstico, vá em busca de como ajudá-lo da melhor forma possível.

E claro ajudar você cuidador, pois é somente após você aceitar que seu familiar tem esquizofrenia que você vai entender o que acontece com ele.

Você vai saber que “ele não é preguiçoso”, vai buscar conhecer o transtorno, melhores tratamentos e como você pode ajudá-lo.

Consegue entender a dimensão e a importância que a ACEITAÇÃO pelo cuidador tem? Que somente após esse primeiro passo você poderá auxiliar da forma correta o seu familiar?

Por isso eu recomendo que você cuidador aceite o diagnóstico do seu familiar. Para que você não sofra tanto, não se culpe pelo que não tem solução e aprenda a como viver e conviver melhor com a esquizofrenia e o seu familiar.

Sem esse 1° passo o caminho será mais sofrido e desgastante.

2° Passo: Busca pelo conhecimento, tratamentos melhores, apoio profissional

A partir do momento que o  cuidador aceita o que o seu familiar tem, aceita que até o momento não tem cura e que precisará encontrar meios de ajudá-lo melhor, a dor fica menor, o sofrimento ameniza.

E sabe por quê?

Porque você sabe o que está enfrentando. Conhece as causas, sintomas, sabe como agir na hora de um surto, o que fazer, quem buscar.

Você está buscando conhecimento do que é a esquizofrenia, qual a melhor maneira de ajudar, o melhor tratamento para o seu familiar. Você está buscando entendê-lo, como lidar com ele.

Entende como tudo começa a andar após o cuidador admitir o que o seu familiar tem e ir à luta, em busca da melhor maneira de auxiliar o seu familiar?

O conhecimento vai fazer o cuidador entender muitos comportamentos do familiar, aprender a o que fazer, como agir.

Vai orientar o cuidador sobre como buscar o melhor tratamento, medicamentos, como agir diante dessas dificuldades.

O apoio profissional e/ou grupos fortalece o cuidador, é um espaço para desabafo, para colocar para fora as frustrações, medos, angústias. Espaço para trocar ideias, novas estratégias.

3° Passo: Motivar, incentivar, valorizar o familiar que tem a esquizofrenia

É como se fosse uma reação em cadeia. Após aceitar o diagnóstico ele vai buscar conhecimentos, vai lutar pelo familiar, por uma qualidade de vida e condições melhores para ele.

E com todos esses aprendizados ele vai aprender que motivar, incentivar e valorizar o familiar que tem a esquizofrenia tem um grande e positivo valor.

Que ele vai estar contribuindo para melhor qualidade de vida e preservação do familiar.

Quem tem esquizofrenia perde muitas coisas na vida: emprego, vida social, relações, capacidades, etc.

E quem vai poder ajudar o familiar nesses momentos? O cuidador é obvio!

Vai ajudar motivando ele, incentivando e valorizando o que ele faz, por menor que seja.

Vai estimular a ir para academia, o cuidador pode fazer aulas junto, afinal saúde é bom para todos.

Pode motivá-lo a fazer alguma atividade em casa. Talvez artesanato, culinária, pintura, escrever, desenhar, o que ele gostar e fizer bem. Atividades essas que podem render financeiramente!

Se o seu familiar puder participar de grupos fora de casa melhor ainda! Lá ele vai socializar, vai se manter ocupado, vai trabalhar as capacidades dele evitando um atrofiamento.

Por isso é tão importante a participação em grupos de Psicoeducação. As trocas são riquíssimas e a evolução nem se fala!

Bom, são esses 3 passos que eu considero a base para você cuidador se preparar e ter condições de apoiar o seu familiar.

Agindo dessa forma o cuidador estará diminuindo o seu sofrimento e contribuindo com o seu familiar.

Claro que tudo isso leva tempo e não é do dia para noite que se mudará. Além disso cada caso é um caso, porém posso afirmar para você que funcionam.

Funcionam pois eu conheço famílias que conseguiram se reorganizar e apoiar os seus familiares sem sofrer tanto, pois veem os resultados nos familiares e neles mesmos.

Também sei que não é fácil, muito menos milagre, leva tempo para digerir tudo isso.

Para aceitar por exemplo, que os planos para o seu filho não serão realizados exatamente como você queria.

Mas acredite que é possível! E eu tenho certeza que você cuidador quer ver o seu familiar feliz e quer ser feliz também!

Então…

Reflita sobre tudo que compartilhei com você hoje e se achar que vale a pena dar um novo rumo para essa dor, coloque em prática!

Um renascimento!

renasça!!

renasça!!

Grande abraço e até logo!

Psicóloga Daniela da Silva

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