Culpa nas mães: “Não fui boa mãe”

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“Eu fui culpada por ele ter esta doença”;

“Eu não criei ela bem”;

“Eu não soube educar”;

“Eu não fui uma boa mãe”;

Estes são apenas alguns dos muitos sentimentos que a descoberta da esquizofrenia em um filho traz para as mães. Muita angústia e cobrança, muita raiva de si, dos outros, do mundo, de Deus. Por que comigo?

A família adoece junto com a paciente, não tem jeito. Principalmente as mães, pois sofrem e se culpam muito. As relações familiares se modificam, assim com a rotina, a vida financeira e o lazer.

Pergunte a qualquer mãe que tenha um filho (a) com esquizofrenia e com certeza ela vai dizer que se culpou ou ainda se culpa pelo que seu filho tem.

Após algum tempo esta culpa diminui sim, mas volta e meia ela bate na porta e no coração destas mãezinhas.

Histórias de cada um

Dependendo das histórias de vida de cada um, será mais fácil ou não diminuir esta culpa? Por exemplo, uma mãe que passou por brigas no lar, sofreu maus tratos e os filhos assistiram, com certeza vai demorar para aprender a lidar com esta culpa. Depois de um tempo vai entender que a esquizofrenia é genética e isso pode ajudar com a culpa.

E quando a mãe não se sentia preparada para ser mãe, aconteceu a gravidez e hoje ela se culpa e não se acha boa mãe, o que fazer? Ou se a mãe teve depressão pós-parto e pensa que foi esse o motivo da esquizofrenia?

Sim, é muito complicado lidar e viver com todas estas questões, dúvidas, medos e culpa. E por isso que a busca por apoio psicológico ajuda muito os cuidadores para que eles entendam o transtorno, aprendam a lidar e conviver com seu familiar e trabalhem seus “monstrinhos internos”.

Claro, nós todos temos nossas dores da alma, não é? E essas mães também. Algumas mais, outras menos, mães muito fortes, outras mais frágeis.

Essas mães que se sentem culpadas precisam de muito apoio, de uma escuta, sem julgamentos, de acolhimento.

Grupos de psicoeducação oferecem este apoio as mães e familiares. No grupo se trabalha os sentimentos, tira-se dúvidas, se entende o transtorno, aprende-se estratégias e com isso o caminho vai ficando mais claro.

Exemplos como os que citei aqui existem. Mães que sofrem por se sentirem fracas, incapazes, culpadas. Mas, ao mesmo tempo, mães que não abandonam, que lutam junto ao seu familiar. E essas mães são de carne e osso, normal ter estes sentimentos, não é?!

Mães: o que fazer com esses sentimentos?

  • Não esconda seus sentimentos;
  • Não fique se culpando/torturando;
  • Não se isole, sofrendo sozinha;
  • Busque ajuda profissional para entender seus sentimentos e aprender a viver bem;
  • Olhe para o futuro, o que foi já passou, passou;
  • Olhe o lado bom do seu familiar, dos aprendizados, sempre tem um lado bom;
  • Se ame, se cuide e valorize-se;
  • Não desista de ser feliz;
  • Se perdoe.

Beijos e até logo.

Daniela

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