Dependência x independência da pessoa que tem esquizofrenia

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Dependência x Independência do familiar, como lidar?

Uma das grandes dificuldades que o cuidador tem com o seu familiar é a enorme dependência que a pessoa que tem o transtorno vivencia.

As pessoas que têm esquizofrenia sofrem muito, tem grande dificuldade nas relações sociais e acabam se acomodando e dependendo do seu cuidador para tudo, o que com certeza traz consequências, para ambos os lados.

O paciente, após o seu diagnóstico, acaba precisando muito do seu cuidador e com o passar do tempo, se acostuma com isso e em muitos casos, até se aproveita dessa situação.

Vamos conhecer alguns exemplos da dependência que a pessoa que tem esquizofrenia tem do seu cuidador:

  • Muitos familiares de pacientes precisam de ajuda na realização das atividades diárias, como tomar banho, vestir-se, cuidados de higiene em geral, etc;
  • O fato de precisar sempre lembrar ou dar pessoalmente o remédio ao familiar é uma dependência;
  • A dependência financeira. Muitos não conseguem voltar a trabalhar ou não conseguem assistência do governo, o que diminui a renda familiar e aumenta os gastos com médicos, remédios, hospitalizações, etc;
  • O fato de muitos não poderem ou conseguirem ficar sozinhos, nem para o cuidador trablhar, é uma grande dependência do seu cuidador;
  • Precisar do cuidador para ir junto as consultas médicas, buscar remédios e administrar os remédios;
  • A falta de motivação, sendo necessário que o cuidador precise sempre incentivar o familiar a realizar atividades, mesmo que simples em casa;
  • Entre outras questões de dependência com o seu cuidador.

Essa dependência é muito em função do transtorno sim, mas também acaba virando um costume, uma mania ou até mesmo se aproveitar da situação. E é isso que não pode ocorrer!

Sim, entendo que é muito difícil para o familiar que tem diversas dificuldades e medos e para o cuidador que não sabe como agir. Entretanto, o fato do familiar depender do seu cuidador para tudo influenciará no seu futuro e na sobrecarga do seu cuidador.

No familiar, pois ele vai se acomodando cada vez mais ou se aproveitando da situação. Ou ainda, depender do cuidador para tudo fará que o familiar se sinta cada vez mais incapaz, inútil, facilitando o isolamento social.

Para o cuidador a dependência do seu familiar gera uma sobrecarga emocional e física muito elevada, prejudicando sua saúde física e mental.

Trabalhar a independência da pessoa que tem esse transtorno é o melhor caminho para todos, paciente e família. Através da independência a autoestima melhora, a expectativa de futuro aumenta e o sofrimento familiar diminui.

Sendo assim, a pergunta é: Como trabalhar a independência do familiar que tem esquizofrenia?

Dicas para trabalhar a independência do seu familiar que tem esquizofrenia

  • Não faça pelo seu familiar o que ele mesmo pode fazer. Como por exemplo: arrumar o quarto, colocar a mesa, estender a toalha, se servir, se arrumar;
  • Com o tempo e estabilização do seu familiar deixe que ele aprenda a controlar as medicações. Claro, dando uma conferida de vez em quando para ver se está tudo sob controle;
  • Coloque limites e regras. Não trate o seu familiar como inválido, incapaz. Ele pode fazer muitas coisas e quanto mais ele fizer menos será a sensação de não ser útil, melhor será a autoestima dele. Ser visto e tratado como alguém “normal” é para eles uma grande vitória;
  • Peça opinião dele sobre atividades de casa, sobre aspectos relacionados a ele, como por exemplo, comprar roupas, mudanças em casa, etc.;
  • Incentive sempre ele a fazer atividades em casa. Ajudar na limpeza, cozinhar, fazer compras, mudanças;
  • Mostre o que ele pode e faz bem, isso irá motivá-lo. Incentive-o a continuar fazendo essa atividade. Por exemplo, se ele sabe cozinhar elogie como é boa a comida dele, peça que faça mais vezes;
  • Se ele pode e consegue sair, não é tão comprometido, deixe que ele vá a lugares sozinhos, como pagar alguma conta, fazer compras, buscar os remédios dele e ir a consultas;
  • Explique sobre o tratamento dele, o que ele precisa fazer, como proceder com consultas, remédios, valores, onde procurar ajuda. Claro que casos mais graves será difícil esse entendimento.
  • Nunca desvalorize o que ele fizer, mesmo que não seja do seu jeito, respeite. Elogie. Em último caso, depois refaça, longe dele para incentivar o comportamento dele;
  • Lembre-se que você também precisa se cuidar, ter seus momentos. Ter o cuidado consigo mesmo mostra para o familiar que ele não é o centro. Faz ele se virar sozinho e não esperar tudo pelo cuidador.

Resumindo….

É essencial incentivar o seu familiar a ser independente. Motivá-lo a fazer sempre as suas atividades, não ter a visão de que ter o transtorno o torna incapaz! Ele pode sim fazer muitas coisas!

Lembre-se que ele precisa de regras e limites e isso facilita a sua independência.

Quanto mais independente o seu familiar for de você, melhor será para ele, no presente e no futuro. Fazer as atividades referentes a vida dele o motiva, o faz se ver como todos a sua volta.

Além de que ser independente irá contribuir para o dia que o seu familiar precisar se cuidar sozinho, pois assim ele saberá o que fazer e não ficará tão perdido.

Trabalhe a independência do seu familiar e a sua também! Muitos cuidadores se anulam para viver a vida do seu familiar, o que não é bom e muito menos indicado, para nenhum dos dois!

Abraço,

Psicóloga Daniela da Silva

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