Descubra como lidar com a sobrecarga vivenciada pelo cuidador

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Sabemos que a família é vista como base, como uma forte aliada na estabilização da pessoa que tem esquizofrenia. E precisa ser assim,  pois é a família que vai trabalhar junto com seu familiar para que eles tomem as medicações, buscando melhores condições e qualidade de vida, fatores que podem evitar o agravamento do transtorno.

Entretanto, nem sempre as famílias e/ou os cuidadores tem as condições necessárias para lidar com a sobrecarga que a esquizofrenia tem. Por que? Pois muitas vezes o cuidador é somente um, geralmente as mães, que precisam sustentar a casa, os medicamentos e cuidados com seu familiar, entre tantos outros custos.

E além de toda parte financeira existem partes essenciais, que precisam estar bem, que são a saúde física e emocional, e que infelizmente não é o que acontece, devido à sobrecarga que esses cuidadores vivenciam.

Essa sobrecarga vem do excesso, do acumulo de atividades, funções, problemas, entre outros.

Essa sobrecarga pode ser dividida em quatro tipos:

  • Sobrecarga financeira;
  • Sobrecarga física;
  • Sobrecarga emocional;
  • Ausência de atividades de lazer e sociabilidade.

A sobrecarga financeira ocorre pois na maioria das vezes o cuidador precisa parar de trabalhar para ficar com seu familiar ou ainda, esse familiar antes contribuía com os gastos e após o transtorno, não pode mais.

As sobrecargas físicas e emocionais derivam do desgaste, da falta de cuidado consigo mesmo. Geralmente os cuidadores esquecem de si mesmos, não se cuidam, se isolam, e acabam adoecendo.

Devido aos fatores citados acima, esses cuidadores acabam se afastando do meio social.  Se distanciam dos amigos, familiares, não tendo momentos de lazer, o que pode gerar uma depressão, estresse, ansiedade, etc.

Segundo alguns autores essa sobrecarga vivenciada pelos cuidadores pode ser classificada como Objetiva e Subjetiva.

Objetiva se refere aos problemas ou dificuldades concretas, verificáveis e observáveis causadas pelos comportamentos dos pacientes; enquanto a Subjetiva se refere aos sentimentos pessoas sobre o ato de cuidar do familiar e está relacionada às consequências da sobrecarga objetiva. Na verdade percebe-se que uma tem relação com a outra, não é mesmo?

E como lidar com essa sobrecarga toda?

Após o diagnóstico da esquizofrenia o ambiente familiar se modifica completamente. As rotinas mudam, os hábitos também.  Os sentimentos e emoções são diferentes e será preciso se readaptar a essa nova realidade.

A família leva um tempo para se reorganizar é claro, mas é possível sim. E se consegue isso através da busca pelo conhecimento, do engajamento com o familiar, na busca por condições de vida melhor, na busca do cuidado consigo mesmo. É preciso muita paciência e tolerância, além de muito amor.

Como eu costumo dizer: aos poucos as melancias vão se ajeitando na carroça!  Se começa a entender os comportamentos do familiar, se aprende a como agir na hora de um surto, o que fazer e não fazer. Porém, tudo isso gera um cansaço, ainda mais se for um único cuidador.

Sendo assim, será fundamental que os cuidadores/familiares busquem ajuda. Que participem de grupos de psicoeducação voltados para os familiares. Através desses grupos se percebe que não se é o único, que existem outros na mesma situação, ou ainda piores. O grupo traz acolhimento, escuta, orientação para os cuidadores, o que os deixa mais fortes e prontos para seguir sua caminhada.

Olhar para si mesmo!!

É preciso que você, cuidador, comece a olhar para si e perceba que se não estiver bem, seu familiar também não estará. Reserve um espaço para seu lazer, para descansar, longe do seu familiar.

Sim, você pode dizer que estou sendo egoísta, mas saiba que não!! Ao contrário, ao ver você bem, seu familiar também ficará.  Lembre-se que eles são muito sensitivos e o ambiente interfere diretamente neles!!

Vamos pensar: se você estiver cansada, estressada, doente, qual será o resultado? Possivelmente em alguns momentos estará irritada, com aparência doente, sem ânimo para nada, onde qualquer coisa que aconteça, você pode explodir! Não é assim?

E consequentemente, seu familiar vai absorver todo esse clima, vai ficar nervoso, estressado, ou seja, mais sensível a novos surtos…péssimo não é?

Entendem por que é importante que os cuidadores estejam bem, física e emocionalmente?

Então, agora que você já sabe de tudo isso, que tal procurar reduzir essa sobrecarga e se cuidar? Não, não estou dizendo que os problemas vão acabar e tudo vai ser perfeito, que o transtorno vai sumir. Estou dizendo que se o cuidador estiver bem e preparado, ele saberá lidar melhor com as situações, estará tranquilo, com mais paciência e cabeça para pensar em como agir.

Cuide de você hoje para estar bem amanhã!!

 

Beijos,

Daniela

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