Estabilização: um novo caminho na vida de João

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Finalmente chega o dia da consulta!

João* está muito nervoso e com medo, mas sua irmã segura sua mão o tempo todo passando-lhe coragem e ânimo.

Na sala, o Psiquiatra começou a conversar com João, com muita calma e carinho. E aos poucos ele foi ficando mais calmo e conversando, já que não suportava mais o que lhe estava acontecendo. Estava começando a gostar do Psiquiatra.

João contou ao Psiquiatra seus pensamentos e medos. Conta que tem certeza que estão o vigiando o tempo todo, porque ele é um enviado e tem uma missão aqui, e por isso o perseguem e querem o matar.

Julia* e a mãe escutam caladas, segurando o choro…

Depois de ouvir mais alguns relatos de João sobre o que ele sente, desde quando isso começou, um pouco da história de vida dele, o Dr. Alberto* explica para João e sua família que ele precisará fazer um acompanhamento médico, tomar algumas medicações e que precisa observá-lo mais, mas que possivelmente seu diagnóstico é esquizofrenia.

O Dr. Alberto explica para seus parentes o que é esquizofrenia, fala um pouco sobre os tratamentos, esclarece algumas dúvidas do momento. João discorda e diz que é tudo real o que vive e ainda não acha que precisa de remédios.

Dr. Alberto o convence a fazer um teste e tomar as medicações. A irmã e a mãe prometem lhe ajudar, estar com ele para que nada de ruim lhe aconteça.

A busca por ajuda

João, ainda com um “pé atrás”, concorda com o tratamento para satisfazer todos…

O início foi muito difícil para todos e claro mais ainda para João. Após a consulta com o Psiquiatra Alberto a família passou a conversar mais com João, ter mais paciência, e não o contrariar o tempo todo.

A aceitação das medicações, foi uma etapa bem complicada. João tinha medo, dizia que era veneno, por isso resistia. A mãe foi orientada a colocar os remédios em alimentos e dar para o filho, sem ele saber, claro. E funcionou, após três meses João começara a aceitar as medicações.

Aos poucos começou a conversar mais com a família, ainda não queria ir para a escola, às vezes voltava antes, mas ao menos ia as aulas. Ainda falava dos seus medos e que eram reais suas histórias. Ninguém o contradizia, mas o faziam pensar sobre o assunto e ele começou a ficar em dúvida se era mesmo real.

Agora João vai as consultas com o psiquiatra sem problemas, gosta de conversar com o doutor, ele é muito legal com ele. O dr. Alberto sugere que João faça terapia e busque também participar de algum grupo pois fará amizades e terá alguma atividade fora de casa. João até gosta da ideia, mas ainda sente muito receio em participar de grupos.

Passados alguns meses, João decide procurar um psicólogo e a cada dia melhora mais. Já não fica mais trancando no quarto, não falta as aulas, fica junto com sua família e aos poucos está voltando a falar com os colegas.

Estabilização: novo caminho

A família de João agora entende o que ele tem, está aprendendo a lidar com ele e com a esquizofrenia. Participam sempre dos grupos para familiares,  o que ajuda com os sentimentos deles, em como lidar com as crises, o que fazer e não fazer.

João também melhorou muito. Hoje está com dezoito anos, já teve a confirmação do diagnóstico de esquizofrenia, faz seus tratamentos (remédios, terapia, consultas com o psiquiatra). Também conseguiu terminar o ensino médio e está fazendo cursinho para o vestibular de informática.

Às vezes, ainda tem algumas crises, onde fica mais fechado, mas aprendeu a lidar com isso. Quando está assim fica no seu canto e quando melhora, vai para a sala com a família. Fez alguns amigos no cursinho e no grupo para pessoas com esquizofrenia que participa, saindo para jogar futsal com eles e até algumas vezes no cinema.

João e sua família passaram por momentos bem complicados, mas estão conseguindo superar. Quando ele está em crise, sabem como agir. Aprenderam também a respeitar João como ele é agora, com suas limitações sim, mas como uma individuo normal.

Dica!!

Tratar João sem diferenças é fundamental para a sua estabilização, pois ele não se vê como incapaz, tem apoio e incentivo da família, sabe que pode contar com eles.

João aprendeu que precisará sempre dos remédios, pois duas vezes tentou parar e tudo piorou, agora diz que sabe que precisa e não vai mais interromper o tratamento. Quer estudar e trabalhar, quem sabe um dia ter uma namorada, entretanto aprendeu a viver um dia de cada vez.

Assim como a vida de João são as histórias de muitas famílias. Algumas melhores outras piores, pois cada caso é um caso e o importante é não nunca desistir! E olhar além da esquizofrenia!

*Os nomes utilizados para os personagens são fictícios.

Beijos e até logo!!

Daniela

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