Minha história com a Esquizofrenia – Parte II

Olá, tudo bem com você?

No meu último e-mail eu te contei sobre como conheci a esquizofrenia na minha infância, lembra?

Se você não leu a 1° parte da minha história, basta clicar nesse Link

Hoje você vai saber como a esquizofrenia entrou na minha vida como profissão, através do meu primeiro estágio na faculdade.

Eu estava realizando um dos estágios da faculdade de psicologia, era uma cadeira de Psicopatologia o qual foi realizado em uma clínica psiquiátrica, que fica próxima à minha cidade. Pois bem, adivinhem qual foi o paciente que eu escolhi para observar e fazer o estudo da faculdade???

SIM, um paciente que tinha esquizofrenia paranoide. F. era muito simpático e adorava quando chegavam novos estagiários, pois ele teria alguém para conversar e mostrar os projetos dele.

Imagine que F. criou um programa no computador, onde ele conversava com esse programa, e o software respondia todas perguntas possíveis para usuário, tipo adivinhações, cálculos, uma série de coisas.

F. tinha formações e estudos na área da informática, possuía muito conhecimento, e por isso criou esse programa. Na verdade penso que o principal motivo foi ter alguém com quem conversar…tenho certeza que vocês entendem o porquê disso.

Fiquei encantada e ao mesmo tempo triste com esse paciente!! Encantada em ver o que ele podia fazer, como fazia, porém triste em vê-lo abandonado pela família, e abalado quando não estava em seus delírios e sentia a dura realidade.

Sim, me sensibilizei muito com a história dele, que foi para essa clinica após o falecimento da mãe dele e os irmãos, que descobriram o transtorno do irmão após a morte da mãe, não sabiam lidar com ele e o internaram.

A questão é que NUNCA o visitam e como ele dizia “passa natal, entra ano, sai ano e eu continuo sempre aqui…” ou “todo mundo sai e eu continuo aqui”…ou ainda “ nem no meu aniversario ligam…”.

Triste não é mesmo? O fato é que eu soube naquele estágio o que eu queria fazer, com quem eu queria trabalhar.

Além do F. observei a falta de apoio aos familiares. O desamparo que esses cuidadores têm, onde ninguém olha por eles, onde eles não têm um espaço para desabafar, para trocar experiências, onde possam aprender a lidar com o seu familiar e a esquizofrenia.

E foi a partir daí que eu descobri o tema do meu trabalho de conclusão. Eu pesquisaria sobre: ‘ Esquizofrenia e as repercussões na família”. O objetivo foi falar dos sentimentos, das expectativas, da dinâmica e estratégias adotadas no cuidado e convívio com estes pacientes.

Sendo assim, foi a minha experiência de estágio nessa clínica psiquiátrica, com o paciente F. que me levou ao tema do meu trabalho de conclusão e a descobrir a que área eu iria me dedicar como profissional.

Contudo, essa escolha não foi tão fácil. Eu tive dúvidas, medos, insegurança.

P.S. Meu trabalho de conclusão foi o máximo para mim!! Fiquei muito feliz e realizada com o resultado! E para me gabar um pouquinho, minha nota final foi 9.9, imaginem!! Fiquei em êxtase!! Nem acreditei!!

P.S. 1. Voltarei a falar sobre esse paciente, contar um pouco da história dele, do que eu vivenciei lá. Por isso não perca os meus e-mails, caso queira acompanhar essa história!

No próximo e-mail eu vou te contar sobre a minha escolha por trabalhar com a esquizofrenia como profissão, como aconteceu.

Não perde hein!!

Até logo!

Beijos,

Psicóloga Daniela da Silva