O grande medo dos cuidadores: e quando eu faltar?

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Como meu familiar vai ficar quando eu não estiver aqui? O que será dele?

Os cuidadores de pessoas que têm esquizofrenia vivenciam muitas angústias e dúvidas. Entre elas, o grande medo: o que será do meu familiar o dia que eu vier a faltar, morrer?

O medo de como será o futuro do seu familiar que tem esquizofrenia faz com que os cuidadores se angustiem. Se perguntando se eles ficarão bem, se alguém os maltratará, como farão para se sustentar ou se manter? Uma tortura sem fim.

Quando existe um irmão/ã deste familiar ou algum parente próximo, o qual possa dar um auxílio a esta pessoa, os cuidadores até ficam um pouco aliviados. No entanto, o medo de que essa pessoa não saiba lidar com o seu familiar, de que não cuide direito ou de que eles não se entendam ainda existe!

E a situação fica pior ainda se não existir este familiar próximo. Será que o meu familiar vai ficar abandonado? Vão se aproveitar dele? Como ele tomará os remédios sozinho?

Com todos esses pensamentos e medos, os cuidadores vivenciam um grande medo de morrer.  Ou que algo possa acontecer com eles, como um acidente por exemplo, pois pensam em seu familiar o qual depende muito dele e geralmente não existem outros familiares que possam exercer esse cuidado.

Sim, existem alguns cuidadores que se dedicam e fazem o que podem no momento presente deixando para planejar o futuro, no futuro. Estão cientes de que fizeram e fazem o que podem pelo seu familiar e que no dia que não estiverem mais aqui não poderão fazer mais nada.

Esses cuidadores preparam o seu familiar para poder se manter sozinho, com uma autonomia, mínima que seja. E se houver algum familiar, como irmã por exemplo, sabem que de um jeito ou de outro, esta irmã vai cuidar dele/a. Sabe que eles se entenderam, pois não terá outro jeito. E sabe que eles se entendem mesmo?!

Claro que não é fácil imaginar que um dia se estará longe e que o familiar pode passar por algumas dificuldades, precisando da mãe/pai. Entretanto os cuidadores precisam pensar que fizeram tudo que podiam e que agora não depende mais deles.

Por isso podemos pensar sobre o quão importante é a independência da pessoa que tem esquizofrenia. Ela precisa saber o básico para viver, como por exemplo: aquecer uma comida, arrumar a casa, tomar seus remédios sozinha, fazer sua higiene, e se possível saber andar sozinha.

Alguns cuidadores acham que seus filhos não conseguirão conviver com o familiar que tem esquizofrenia, pois sabe-se como são os irmãos, sempre brigando.  Entretanto vemos muito irmãos que após a partida dos pais realmente assumiram o cuidado com seu ente querido, convivendo muito bem e algumas vezes até melhor do que esse paciente vivia com seus pais.

E essa é uma questão que intriga, não? Mas, se analisarmos bem veremos que muitas pessoas que têm esquizofrenia quando estão com os pais acabam sendo super protegidos ou ainda se aproveitam dos Pais. Entretanto, quando se veem obrigados a agir diferente eles conseguem, sem problemas. Conheço irmãos que assumiram o cuidado do seu familiar com esquizofrenia e se dão muito bem, se respeitam.

Inclusive alguns tiveram até um progresso, pois aprenderam a ser mais independentes e a se virar em algumas questões básicas, de rotina, do dia a dia de casa.

Como eu sempre digo cada caso é um caso. Haverá aqueles que não poderão ficar sozinhos e realmente precisarão de um cuidador. Esse cuidador pode ser um familiar próximo, um familiar distante, um amigo ou em último caso talvez a pessoa precise ficar em uma instituição, onde também ficará protegida e bem cuidada.

O importante é que o cuidador viva o presente! Sem se preocupar com questões futuras ou como seu familiar viverá após sua morte. O que ele poderá fazer é prepará-lo, orientando e o deixando ser um pouco independente para que quando precisar ele saiba se manter sem problemas

Dicas para os cuidadores/ familiares

  • Procure pensar e viver o presente ao lado do seu familiar. Faça o que você pode por eles hoje, sabendo que fez o melhor possível com todo cuidado e amor;
  • Ensine ao seu familiar o máximo de independência que ele puder realizar e suportar, pois assim ele saberá viver sozinho. Pense que essa independência também é muito importante para autoestima do seu familiar e o ajudará já agora no presente;
  • Conte sempre para os filhos ou familiares próximos, os quais possam vir a serem cuidadores do seu familiar, sobre as medicações,  médicos, a melhor forma para lidar com essa pessoa, de como agir em caso de alguma emergência;
  • Não fique se torturando, se culpando e imaginando que um dia você virá a falecer e pensando como seu familiar vai ficar. Lembre-se sempre que a sua parte foi feita com amor e afinco e o depois não dependerá mais de você;
  • Caso um dia você precise se ausentar por motivo de doença, viagem ou outro motivo qualquer, vá sem culpa! Dessa forma você já está preparando seu familiar para viver longe de você e a ser mais independente. Explique sempre ao seu familiar o que está acontecendo. Oriente-o a como agir, bem como onde e com quem ele irá ficar;
  • Seja feliz, cuide-se, permita-se ter seu momento. O melhor exemplo que você poderá deixar para seu familiar é você mesmo!

culpa

Beijos,

Daniela

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